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HISTÓRIA

Rua das Pérolas, nº 18


É inimaginável quantas histórias se tecem dentro de um velho prédio com apenas 5
andares. A única que realmente sabe disso é a Mia, uma jovem misteriosa de 20 anos, que
mora em um pequeno quarto no primeiro andar, que costumava pertencer ao porteiro.
Quando se sente aborrecida, abre a porta de entrada, que dá diretamente a uma escada,
que leva ao hall do prédio, fica sentada na sua pequena poltrona e observa os habitantes do
prédio a passar, uns com mais pressa que outros. Ela observa e tece histórias, imagina que
vida terá cada um, e sabe que tudo o que imagina é verdade.


Sabe que a rapariga loira, sua vizinha, chama-se Alice e que sai todos os dias cedo de
manhã e volta às 8h da noite, é extremamente perfeccionista, especialmente com o seu
aspeto. No entanto, quase como a regularidade do ciclo da Lua, aparece de vez em quando
com o cabelo oleoso e despenteado, roupas sujas e velhas, como se repentinamente
decidisse optar pelo caos em vez da perfeição. As únicas pessoas do prédio com quem fala
são os moradores do segundo andar, uma menina de 14 anos, de olhos escuros e
penetrantes, Rita, e com o jovem tímido, Apolo.


Os olhos de Rita são intensos e adultos porque foi forçada a crescer rápido. É ela quem
toma conta dos irmãos, faz-lhes o almoço para a escola e ajuda-os nos trabalhos de casa.
No prédio há duas meninas da sua idade que estão sempre a brincar pelas escadas e
corredores. Rita gostaria de se juntar a elas mas não sabe como, esqueceu-se de como é
brincar. É muito mais fácil para ela conversar com a Alice, tem muito mais em comum,
apesar da diferença de idade.


Apolo tem 25 anos e todas as noites janta com a Maria Merces, uma velhota conversadora
que todo o bairro conhece. É ela que faz o jantar enquanto Apolo fala sobre o livro que está
a ler no momento, aquilo que aprendeu nas suas aulas de literatura na universidade ou
sobre a sua paixoneta pela Alice, que mora no andar de baixo. Maria diverte-se a relembrar
os seus tempos de juventude e não se importa de o deixar falar. Afinal, ele costuma ser
tímido e acanhado, por alguma razão só se sente à vontade com ela, e Maria não se
queixa. Além de que, depois de jantar, sempre se sentam no sofá a ver a sua telenovela
favorita.


Inahí chegou há pouco tempo ao prédio. Preocupou-a muito no início não encontrar amigos,
mas teve a sorte de conhecer a Maria Elisa, sua vizinha do mesmo andar. Elisa tem um
carácter forte e magnético que puxou logo pela atenção de Inahí, sempre sonhadora. Não
demorou muito para estarem constantemente a inventar aventuras nas escadas de incêndio
ou na cave. A sua brincadeira favorita é subir sorrateiramente até ao último andar, onde
mora dona Merces e também uma mulher solitária e fria. Inaí e Elisa suspeitam que a última
seja uma bruxa, ou talvez vampira, e a sua maior missão é descobrir os seus segredos.
Adónis passa muito tempo na casa dos avôs, ela tem 12 anos e é muito tímida, gosta de
brincar com os tesouros que a sua avó acumulou ao longo dos anos e entretém-se a dar
nomes às plantas do avô. Ela ouve muitas vezes como Inahí e Elisa brincam no corredor e
a avó sempre a incentiva para ir brincar com as vizinhas, mas ela sempre diz que não. Não
porque não queira, mas é tímida e prefere brincar com os bonequinhos do presépio da avó.
Mas, quando ouve umas botas pesadas a descer as escadas corre sempre para espreitar
pela porta e ver passar Risoka.


Risoka tem 23 anos e tem o cabelo rosa levantado com gel em picos. Acorda tarde e sai de
casa sempre por volta das 4h da tarde para voltar sempre de madrugada completamente
destruído. Não fala com ninguém do prédio, mas cumprimenta a Mia quando passa pela sua
porta entreaberta. Vai quase sempre a alguma festa pelo mato, volta fazendo muito barulho

e sujando o corredor e o elevador com lama. A Maria Merces já várias vezes refilou com ele
por deixar o elevador imundo e quase todos os habitantes do prédio já lhe foram tocar à
campainha devido às ocasionais festas que organiza. Talvez a única pessoa que não se
queixa além da Mia será a mulher solitária do último andar.


Isto nem a Mia sabe, mas o seu nome é Clavícula. É extremamente rica, muito bonita,
mesmo com 55 anos. Mas essa beleza é fácil de ignorar já que é bastante arrogante e está
sempre na defensiva. Não confia em ninguém, só no seu dinheiro.

E estes são os habitantes do nº18, um velho e pequeno prédio na Rua das Pérolas de 5 andares.

© Frag.Mentes, 2021 | Escola Artística António Arroio

projeto desenvolvido no âmbito da disciplina de Gestão das Artes

12ºG | Curso de Produção Artística | Realização Plástica do Espetáculo

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